quarta-feira, 18 de junho de 2014




Fotografia: Amália Grimaldi - 2013
Bahia-Brasil



Um cordel bem informado – Máila de Alcaçuz

                                                        Almanach Perpetuum

No tempo de Dom Dinis
Escreveu o Pentateuco
Samuel Porteiro, um judeu inteligente.

No tempo dos Reis Católicos foi perseguido 
 
Escreveu ele o Manual de Torquemada
Perseguido, fugindo de Sevilha
Ganhou cargo de porteiro;
Cabia a ele citar, penhorar e executar
Os cinco livros de Moisés, da Torah,
Do Algarve em Portugal
Que depois foi roubado pelo ingleses
Indo parar na Inglaterra.
Essa é a história que vem do tempo da inquisição.


Abrahão Zacuto, rabino respeitado
Em lei judaica formado,
 
Assim conta a história
Ser ele bem informado
Homem sábio,  cérebro pensante  
Da corte Astrônomo pelo Rei foi nomeado.
Riscou tábula solar, deitou cálculo avançado
Longitude e latitude. Orientou as caravelas.
 
Chegando à Terra Brasilis
Na praça da taba, (assim canta o cordel)
Formada a confusão, entre o índio e o invasor,
Pedro Álvares Cabral, comandante português

Causando grande alvoroço
 
Com o bravo cacique logo se desentendeu.
 
Enquanto lá em Portugal
Na fogueira Judeu era queimado
Fugindo à Inquisição,  homem sabido,
 
Astuto, cheio de boas intenções,
Zacuto,  que era homem ajuizado
Pois assim ao Rei De Portugal muito serviu
Soube ele fugir de cruel castigo

Ser queimado na fogueira.
 
 Em Damasco foi ele foi se esconder.
 

Amadis de Gaula
 
           Amores furtivos, amores proibidos,
Entre o rei D. Perion de Gaula(de Gales)
 E a Infanta D. Elisena, da Bretanha.
Do romance espúrio nasceu uma criança
que seria abandonada numa barca.
Esta criança se chamava Amadis.
 Encontrada, por obra do acaso,
É criada pelo cavaleiro Gandales.
Mais tarde, em busca das suas origens,
Amadis mete-se em aventuras fantásticas.
Uma feiticeira o protege; a horrenda Urganda.
Nas suas andanças é cruelmente perseguido
Pelo mago Arcalaus, o encantador.
No centro da ilha de Firme,
Atravessa o arco encantado, dos leais amadores,
E luta contra o monstro temível, Endriago.
Mata-o e vira herói.
De amores por Oriana, filha do rei
D. Lisuarte, da Inglaterra,
Mete-se em empreitadas de perigos
Chegando a limites extremos,
 Pondo até a sua vida em risco.
Inteligente, mantém seu prestígio
De herói a duras penas.
 

           Correntes maldosas
          O cabo do medo
E o drama da partida
E o conflito da volta
E o medo do encalhe
O canto da alma portuguesa
Gil Eanes e tripulação
Conseguiram tal façanha
Em correntes maldosas
Atravessar o Bojador
Pelo infante Dom Henrique
Em glórias e louvores
 
Em correntes maldosas
Ódio e amor
Exaltados.
 

domingo, 15 de junho de 2014

A morte do peixe





"Parecendo Ser" Amália Grimaldi - Salão de Artes Visuais Funceb - 2013 - Valença - Bahia - Brasil

Pintura acabada
Debandada
Polêmica e riso
A fraqueza
O gelo e o tédio
Soberbo incerto
O surdo e a obra poética 
Escatológico orgânico
Demasiado estreito
Secreção vinculada
O conceito abjeto
Cinza e espuma
A saliva e a enzima
Necessário argumento
Esse cáustico recesso
A consciência ubíqua
O engano e o juramento

Ouro e carvão:
A morte do peixe.
(Meus Poemas: Amália Grimaldi)
Photo: Amália Grimaldi - Valença Bahia Brasil
Água e missa
A mão e a luva
O chapéu e a cabeça...
Crianças leves
E suas bolas azuis
Areias e conchas
Ao sol se pertencem.
Cimento e cal
Trastes e repolhos;
Jurei esquecer malditos.

Recompondo eventos
Carrega consigo o peso a pedra o caminho.
Difícil remoção.
Incapacidade de recompor eventos
Arrasta consigo cansado tempo.
Tempo irreversível que não poderia ser contido.
Como fino pó a fugir-me entre os dedos
Irretornável areia branca.
Eis aí  universo grandioso,
Sílica abundante
Maior do que qualquer palavra.
Esse grão de areia, assim, tão pequenino, 
Caberia precioso nesse meu poema
Sou poeta inspirado.
Poeira inútil, lá se deixaria ficar.
É como se escrevesse no vácuo da incompreensão,
Existiria melhor sentido? 
A recompor eventos 
A alma do mito no estilo. Sem compromisso.
(Amália Grimaldi - "Meus Poemas")
Photos: Amália Grimaldi - "Sustentável Momento" Praia do Guaibim, Valença, Bahia - Brasil 2013






























sábado, 14 de junho de 2014

Máila de Alcaçuz:      Cantos de Sereia (Amália Grimaldi – Meus po...

Máila de Alcaçuz:      Cantos de Sereia
 
(Amália Grimaldi – Meus po...
:           Cantos de Sereia   (Amália Grimaldi – Meus poemas)   Um tanto esfarelada, A balaustrada, presente em ...

 
 
 
 
 
Cantos de Sereia

 

(Amália Grimaldi – Meus poemas)

 

Um tanto esfarelada,

A balaustrada, presente em seus andrajos,

Ainda resiste. Nos cantos da idílica memória.

Ferros à mostra, denotam urgência

Necessidade de reparos.

Cotovelos arranhados, dor, já não sentia.

Somente um grande prazer de ali estar.

O barulho daquelas ondas

castigando os velhos rochedos,

tão pacientes no tempo...

– Ondina! Como és bela! 

Um pedaço de mar irado

Espremido entre morrotes

Rebento da acidentada

Linha costeira da baía azul.

 

Mar de todos os santos. E, meu também.

Ali voltei, numa tarde sem sol,

Só para escutar os cantos de sereia.

Mito distante que se faz presente

Nas histórias dos velhos pescadores.

E no mito exaltado dos cantos de sereia. 

A reverenciar antigas crenças.

 

Barcos à vista... Eles, os pescadores,

Logo alcançarão o patamar de entrada...

Umbral distante. A casa do Astro Rei. 

– Idílica figuração da minha necessária fantasia.

 

O mistério do mar e a lonjura

De terras que a vista alcança.

O horizonte distante...

Trama de relações. Mitos e lendas.

Persas e judeus... O passado histórico.

Homens sábios revelados;

Filósofos emblemáticos,

Homens de coragem

E grandes navegações.

E o mito do Bojador,

Ora ultrapassado.

 

O pescador, homem incansável

 na rotina que o envolve,

clara é a visão do seu cotidiano,

o que o faz destacado.

Mas, prisioneiro imemorial de seu olhar,

o pescador, homem sensível,

se deixa fisgar na própria linha

A possessiva visão de um horizonte

sempre distante,

mas que deverá ser alcançado,

segue a perseguí-lo, dia e noite.

A ganância faz do homem

predador universal por excelência 

Maldade essa, que agrega todos nós,

Pecadores, num frágil cadinho de vidro,

Sob o firme pistilo do conflito.

Amálgama pegajoso. Residual.

Vínculo aglutinado. Na certeza que propicia.

Cantos de Sereia. Às vezes fatal.