sábado, 14 de junho de 2014


 
 
 
 
 
Cantos de Sereia

 

(Amália Grimaldi – Meus poemas)

 

Um tanto esfarelada,

A balaustrada, presente em seus andrajos,

Ainda resiste. Nos cantos da idílica memória.

Ferros à mostra, denotam urgência

Necessidade de reparos.

Cotovelos arranhados, dor, já não sentia.

Somente um grande prazer de ali estar.

O barulho daquelas ondas

castigando os velhos rochedos,

tão pacientes no tempo...

– Ondina! Como és bela! 

Um pedaço de mar irado

Espremido entre morrotes

Rebento da acidentada

Linha costeira da baía azul.

 

Mar de todos os santos. E, meu também.

Ali voltei, numa tarde sem sol,

Só para escutar os cantos de sereia.

Mito distante que se faz presente

Nas histórias dos velhos pescadores.

E no mito exaltado dos cantos de sereia. 

A reverenciar antigas crenças.

 

Barcos à vista... Eles, os pescadores,

Logo alcançarão o patamar de entrada...

Umbral distante. A casa do Astro Rei. 

– Idílica figuração da minha necessária fantasia.

 

O mistério do mar e a lonjura

De terras que a vista alcança.

O horizonte distante...

Trama de relações. Mitos e lendas.

Persas e judeus... O passado histórico.

Homens sábios revelados;

Filósofos emblemáticos,

Homens de coragem

E grandes navegações.

E o mito do Bojador,

Ora ultrapassado.

 

O pescador, homem incansável

 na rotina que o envolve,

clara é a visão do seu cotidiano,

o que o faz destacado.

Mas, prisioneiro imemorial de seu olhar,

o pescador, homem sensível,

se deixa fisgar na própria linha

A possessiva visão de um horizonte

sempre distante,

mas que deverá ser alcançado,

segue a perseguí-lo, dia e noite.

A ganância faz do homem

predador universal por excelência 

Maldade essa, que agrega todos nós,

Pecadores, num frágil cadinho de vidro,

Sob o firme pistilo do conflito.

Amálgama pegajoso. Residual.

Vínculo aglutinado. Na certeza que propicia.

Cantos de Sereia. Às vezes fatal.

 

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