quinta-feira, 15 de maio de 2014

 
 
 
 
 
 
Argamassa notavel - Amalia Grimaldi
Argamassa notavel
 
Caminho inverso
Trata angulosa questão.
“Madre de Dios...”
O galeão espanhol
(ainda por se achar),
Resiste no mito.
 Entre o reino e a colônia,
Tesouro que a fé consagrou,
Sua riqueza maior,
Guarda o imaginário popular.
 Anjos barrocos... Robustos negros...
A circular pelo convés
Dos desejos alheios
Bíceps invejável exibiam:
A força. E o suor.
E da albarda malvada,
Provável mialgia lombar.
 – O valor da forma
A serviço do tema.
 Um sussurro... Um gesto de mão.
No escuro é clara a intenção.
Abatido em seus desejos,
O homem, no pecado,
confronta Deus e Lúcifer.
E...,  o Capitão Padilha...
 Nas águas da baía azul,
Deu-se o engasgo fatal...
De  tanto comer aspargos,
Tinha ele verde a cara...
Van Dorth não resistiu.
 Na íngreme incerteza
Daqueles seus dias,
Da fruta nativa,
Seus caroços, atiçavam por aí...
Entre o barranco e o mar.
 Essência da terra,
Essa argamassa notável,
Forte argumento é voz repetida; 
Sustenta frágil ídolo.
 Desse longínquo tempo
Restou-nos certezas,
(que a História não conta).
Visto que, do colonizador europeu,
(dito civilizado...),
Dele herdamos seus costumes;
Bons e maus.
 Bem dizendo o escrivão Caminha,
... Lá, tudo o que se planta, a terra dá...
Dito e certo! Sob chuvas tropicais,
A tão cantada fertilidade nativa
Logo se confirmaria:
– Sementes vingaram!

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