A
raça e a pitanga...
Autor:
Amália Grimaldi (Poemas Tardios)
E a coroa de Ciro.
E, do vil contemporâneo,
Essa grande colina erodida,
Esse Marrano banido.
E, do caído a fadiga.
E do semelhante
A perversa aleivosia.
E toda essa descrença.
O pó, levará o vento.
Mas a luz definirá a sombra
E o contorno do volume.
A prisão do tempo não tem saída.
Tem calendários. Rosas de ventos.
Caros instantes. Raros caminhos claros.
Estão
fechadas...
Do
misantropo, a fatiga
E
do caído, adjetivos exangues.
Porta
fechada. Templo calado.
Consolo
de fé. Puro arremedo.
A
flauta mágica...Parábola de intrigas.
Essa
esfera mística, esse chão de todos nós.
A
tesoura do tempo e a marca da partida.
Louça
trincada. Visita fora de hora.
Vassoura
atrás da porta; vade-retro inquisicional.
Da palavra inútil
Melhor o silêncio. Ou,
Um resquício de vergonha.
Sublimação temperada.
Insatisfação consagrada.
Tardia aquiescência.
Concepção. Percepção.
Ou, bastar-se a si próprio?
Mão exagerada.
Dosa seu engano na guia.
Princípio aglutinador.
–
Salada mista de padeiro galego.
E
o quarto aposento.
Degredo.
Segredo.
Pisos
magnânimos.
Ídolos
esculpidos...
Pouca
água. Fala àtoa.
O
óleo secou de vez...
E,
a lamparina,
Há
muito se apagou.
O sentido da Terra faz
O sentido horário,
Usos e cultos.
O mestre. E o aprendiz.
Iniciante discípulo
Almeja melhor destino.
Homens suados
Carregam seus fardos.
Rostos
nativos.
Rostos
outros...
Gente
suada...
Gente
que sabe agradar.
Dizia
ser nobre descendente
de holandês distante
Respeitado
mito. Verdade acatada.
A
boca do povo..., tem lá seu poder!
Envolve
o chegante.
Questiona
o passado.
Mas,
em folhas de livro grande,
Caligrafia
bordada,
Registro
legal, isto nunca foi visto.
Trata
angulosa questão.
“Madre
de Dios...”
O
galeão espanhol
(ainda
por se achar),
Resiste
no mito.
Tesouro
que a fé consagrou,
Sua
riqueza maior,
Guarda
o imaginário popular.
A
circular pelo convés
Dos
desejos alheios
Bíceps
invejável exibiam:
A
força. E o suor.
E
da albarda malvada,
Provável
mialgia lombar.
A
serviço do tema.
No
escuro é clara a intenção.
Abatido
em seus desejos,
O
homem, no pecado,
confronta
Deus e Lúcifer.
E..., o Capitão Padilha...
Deu-se
o engasgo fatal...
De
tanto comer aspargos,
Tinha
ele verde a cara...
Van
Dorth não resistiu.
Daqueles
seus dias,
Da
fruta nativa,
Seus
caroços, atiçavam por aí...
Entre
o barranco e o mar.
Essa argamassa notável,
Forte argumento é voz repetida;
Sustenta frágil ídolo.
Desse longínquo tempo
Restou-nos certezas,
(que a História não conta).
Visto que, do colonizador europeu,
(dito civilizado...),
Dele herdamos seus costumes;
Bons e maus.
... Lá, tudo o que se planta, a terra
dá...
Dito e certo! Sob chuvas tropicais,
A tão cantada fertilidade nativa
Logo se confirmaria:
– Sementes vingaram!